sábado, 19 de outubro de 2013

Tecnologia na escola pública



 


Acho tão curioso a forma como o assunto tecnologia na educação chega ao grande público. Fala-se muito na era da informática, em notebook, laptop, tablet, software e mais uma lista de nomes impronunciáveis para a maioria. Não faz 10 anos que deixei o ensino médio e me lembro em ter ouvido falar sobre o tema na escola.
No meu tempo os professores falavam sobre um tal laboratório de informática. Para que servia, não pude saber. E olha que eu dispunha de alto grau de curiosidade naquela época. Anos se passaram, e seguidamente eu ouvia falar no laboratório. Cheguei a vê-lo algumas vezes de longe, da porta. Mas acabei saindo da escola sem saber a utilidade daquele amontoado de “televisores”. E me passa pela cabeça que meus professores também não sabiam.
Meu irmão, que terminou o ensino médio há um ano, também viu um laboratório de informática. Mas diferente de mim, ele chegou a sentar em frente às máquinas. Contou-me que no ensino fundamental, há cerca de cinco anos, ia ao laboratório numa espécie de domingo no parque. Lá não havia controle, nem professor. Os alunos acessavam o que queriam, depois de fazer alguns riscos em um programa específico pedido pela professora. Se é que faziam, já que não eram avaliados. Portanto, o problema, no caso do meu irmão, não foi o acesso à tecnologia na escola, mas sim a falta de um método de ensino, um planejamento feito por professores treinados. Talvez possam dar a desculpa que nessa época os computadores serviam apenas para familiarizar os estudantes com a era da informática na escola pública. Mas precisamos dizer que muitos ainda nunca viram um computador, diferente do que pensa a maioria. Sendo assim, essa familiarização ainda poderia levar muitos anos.
Vivemos em meio a um sistema de educação pública sucateado, com livros ultrapassados, com professores mal remunerados, escolas sem estrutura e por aí vai. E querem falar em software? Falar a quem? Está na hora de direcionar o discurso. Tecnologia é fundamental, sabemos disto. Mas antes é preciso oferecer o básico. Informatizar custa dinheiro. Não adianta o governo mandar 20 ou 30 notebooks para uma escola que mal possui uma biblioteca e chamar a imprensa para o dia da entrega das máquinas. Antes disto, a inclusão de uma educação igualitária se faz necessária. Com professores capacitados e materiais didáticos básicos. Imagine os alunos do fundamental aprendendo a escrever com computador, onde o Word corrigi os erros automaticamente. Vamos parar de utopia. De querer evoluir na mesma velocidade que países desenvolvidos. Uma coisa de cada vez, por favor.