Acho tão curioso a forma como o assunto tecnologia na educação chega ao grande público. Fala-se muito na era da informática, em notebook, laptop, tablet, software e mais uma lista de nomes impronunciáveis para a maioria. Não faz 10 anos que deixei o ensino médio e me lembro em ter ouvido falar sobre o tema na escola.
No meu
tempo os professores falavam sobre um tal laboratório de informática. Para que
servia, não pude saber. E olha que eu dispunha de alto grau de curiosidade
naquela época. Anos se passaram, e seguidamente eu ouvia falar no laboratório.
Cheguei a vê-lo algumas vezes de longe, da porta. Mas acabei saindo da escola
sem saber a utilidade daquele amontoado de “televisores”. E me passa pela
cabeça que meus professores também não sabiam.
Meu
irmão, que terminou o ensino médio há um ano, também viu um laboratório
de informática. Mas diferente de mim, ele chegou a sentar em frente às máquinas.
Contou-me que no ensino fundamental, há cerca de cinco anos, ia ao laboratório
numa espécie de domingo no parque. Lá não havia controle, nem professor. Os
alunos acessavam o que queriam, depois de fazer alguns riscos em um programa
específico pedido pela professora. Se é que faziam, já que não eram avaliados.
Portanto, o problema, no caso do meu irmão, não foi o acesso à tecnologia na
escola, mas sim a falta de um método de ensino, um planejamento feito por
professores treinados. Talvez possam dar a desculpa que nessa época os
computadores serviam apenas para familiarizar os estudantes com a era da
informática na escola pública. Mas precisamos dizer que muitos ainda nunca
viram um computador, diferente do que pensa a maioria. Sendo assim, essa
familiarização ainda poderia levar muitos anos.
Vivemos
em meio a um sistema de educação pública sucateado, com livros ultrapassados,
com professores mal remunerados, escolas sem estrutura e por aí vai. E querem
falar em software? Falar a quem? Está na hora de direcionar o discurso.
Tecnologia é fundamental, sabemos disto. Mas antes é preciso oferecer o básico.
Informatizar custa dinheiro. Não adianta o governo mandar 20 ou 30 notebooks
para uma escola que mal possui uma biblioteca e chamar a imprensa para o dia da
entrega das máquinas. Antes disto, a inclusão de uma educação igualitária se faz necessária. Com
professores capacitados e materiais didáticos básicos. Imagine os alunos do
fundamental aprendendo a escrever com computador, onde o Word corrigi os erros
automaticamente. Vamos parar de utopia. De querer evoluir na mesma velocidade
que países desenvolvidos. Uma coisa de cada vez, por favor.